quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Para nós!


Em 2015 reclamamos tanto da falta de tempo que, ganhamos um 29 de fevereiro, vem ai, mais um ano bissexto, 366 novas oportunidades... aproveite! Porque se cá estamos, e não sabemos qual o sentido e motivo, nos resta gozar. 
Esse texto não é sobre mim ou você, é sobre nós. Não é retrospectiva. É sobre lista de desejos, melhor que planos. 
Aqui estamos alguns de nós, seguindo mais uma passagem do calendário solar/cristão. Escolhi essa data para reunir meus desejos: Que o Sol, esse mesmo de 40°, possa aquecer os corações frios e empedrados. Que possamos canalizar toda revolta em, atitudes nobres. Que possamos dar menos valor ao dinheiro e mais valor a vida. Que possamos compreender as diferenças e aprender mais com elas. Que nos livremos do ego e posse. Que possamos amar mais os animais.
E já que não conseguimos estar tão presentes como (alguns de nós) gostaríamos, que possamos ser ao menos digitalmente sinceros, com menos compartilhamentos automáticos.
Faço desses votos algo pessoal, dado a mim e compartilhado com toda dedicação a você. Faço dele um mantra. 
Feliz Vida plena!


sexta-feira, 31 de julho de 2015

O novo universo Rock


Ontem o Imperator Novo Rock comemorou um ano do projeto que apresenta novas bandas do rock independente com uma edição especial e de maior lotação até então. Além de manter uma banda local, inovaram com uma banda da região serrana e uma de Natal/RJ.

A primeira banda, Verbara, iniciou o show já com a casa cheia, apresentou seu rock brega inovador, o vocalista é uma mistura de Falcão e Reginaldo Rossi em versão 2015. Uma banda boa e madura para a proposta que quer apresentar e com personalidade própria.

A segunda banda Hell Oh! Começou honrando o nome do evento com muito barulho de rock. São meninos, me pareceram jovens e descontraídos. Levam um som indie/alternativo e é inevitável não os comparar com Placebo. Os carinhas são de Lumiar/RJ e novos inclusive na sua formação, têm muito ainda o que mostrar.

A terceira e última banda foi a cereja do bolo, Far From Alaska, a mais esperada e provavelmente, a melhor banda do gênero que já passou durante o ano decorrente do projeto.
Sou suspeita em dizer, porque conheci ao acaso o álbum modeHuman no início desse ano e, me apaixonei de imediato. Ouvi, ouvi e quando li sobre a origem da banda fiquei surpresa em saber que são de Natal/RN, achei que fossem estrangeiros. Deve haver narizes torcidos por cantarem em inglês, mas a música precisa de encaixe e isso independe de patriotismo. Fora da música eles carregam o sotaque sem o menor problema.
O som da banda eu não consigo definir, mas sei que é rock, com timbre impecável e muitos efeitos de voz da vocalista Emmily Barreto, muito sintetizador da Cris Botarelli e todo peso e profissionalismo do baterista Lauro Kirsch, do guitarrista Rafael Brasil e do baixista Eduardo Filgueira.

FFA teve reconhecimento artístico rápido e merecedor desde seu surgimento em 2012. Veio com tudo para provar que para uma banda alcançar seus objetivos, ela não precisa se incluir em movimentos, se limitar, apelar, se rotular.

O evento foi longo, foi além do Rio de Janeiro, quebrou paradigmas e eu me diverti tanto que nem fiz fotos. Compareci em quase todas as edições, com exceção de três. Me lembro da primeira edição, desta eu inclusive postei fotos. 
Vida longa ao projeto Novo Rock, seus idealizadores e Centro Cultural Imperator... Viva o rock!





quarta-feira, 27 de maio de 2015

O ódio é cordial


Ao ler casos de serial Killers, psicopatas e homicidas dos anos 60, percebe-se que matar, nunca foi exclusividade do Brasil e muito menos questão de atualidade.
Por volta do ano de 1800, existiram casos absurdos como os de Mary Ann Cotton, inglesa que matou mais de 20 pessoas, incluindo seus próprios filhos, com arsênio. É a assassina serial mais conhecida de todos os tempos. Matou três maridos, um amante e diversas crianças para obter dinheiro do seguro. Foi enforcada em 24 de março de 1873 e o caso de Jack, o estripador, responsável pelo assassinato de prostitutas na área de Whitechapel, durante o ano de 1888, em Londres. 
Nem sei se devo relembrar o tempo da inquisição, escravidão, Tiradentes e Lampião. 

Desde que existe mundo, existe a violência (vide história). A mídia sim, é coisa nova. 
Hoje temos uma enorme gama de informações e liberdade de expressão, ou seja, lemos e escrevemos absolutamente qualquer coisa, isso inclui difamação, mentiras, crenças e boatos, mas tanta informação agora e, a restrita de antigamente, nos fazem ter a impressão de que o índice de violência atualmente é maior, mas ele apenas oscila.

Do que adianta esbravejar palavras de intolerância sobre a própria casa agora? Se o Brasil é o pior País para se viver, por que procriar nele? Por que permanecer nele? Fora do Brasil não existe paraíso, tanto sabemos que, permanecemos.
É possível direcionar as energias de ódio para melhorarmos como patriotas, como pessoas, se quisermos.

Já vi muita gente de classe social humilde, porém, não miserável, com casa alugada ou comprada, com emprego e família, se comparando com um menor, negro, morador da favela onde só tem UPP e tratando a comparação pela internet do Iphone. Alegam que são pobres e nem por isso viraram bandidos. Um clichê analógico simplista para uma situação social tão complexa. 
É como eu já disse, não é questão de meritocracia, partimos de pontos diferentes na vida, uns mais a frente (ou bem mais a frente) que outros. Sejamos mais realistas e gratos. Se hoje temos dignidade, foi por mérito, mas também, por oportunidade e orientação. Me pergunto porque essas pessoas que tem a fórmula do sucesso, ainda não resolveram o problema do País. Me pergunto também qual a vantagem de se imitar estratégias fracassadas de outros Países (Essa já é uma questão para longos debates).

A verdade por trás das tragédias podem derivar de outras tragédias: preconceito, diferencia social, racismo, falta de oportunidade, discriminação, etc; Como um ciclo de ódio vivido por séculos e, que me faz lembrar de frases em alta, porém, bem antigas, dos grupos radicais da internet: “Ta com pena? leva pra casa”, “Bandido bom, é bandido morto”, “queria ver se fosse com você”, “tem que matar” e “se pode votar, casar e fazer filho, já pode ser preso”. E apesar disso, poucos sabem, ou ignoram sua parcela de culpa nesta situação. Se isentar, sentar num computador e invocar o Hater que existe dentro de você, fica fácil para quem aponta tanto.

“Somos um povo tão religioso e cristão, mas que ignora intencionalmente diversos ensinamentos de Jesus Cristo. Não amamos ao nosso inimigo, não damos a outra face, não deixamos de apedrejar os pecadores. Esquecemos que a ira é um dos sete pecados capitais. Gostamos de ficar presos na fantasia de que vivemos numa ilha de gente de bem cercada de violência e barbárie e que a única solução para nossos problemas é exterminar todos os outros que nos cercam e nos amedrontam. Mas quando tudo for só pó e solidão, quem iremos culpar pelo ódio que ainda carregaremos dentro de nós?”
Fonte: http://www.gluckproject.com.br/a-historia-do-odio-no-brasil/



Recomendo este vídeo da palestra com o Historiador Leandro Karnal - O Ódio no Brasil - CPFL Cultura





segunda-feira, 4 de maio de 2015

O 15º debute.

Niterói, 2014.

Comemorei a idade que nem eu mesma acredito ter. Chegou a hora de pagar as contas da vida e, se ajustar porque vem aí a desaceleração do metabolismo, perda de tecido ósseo e muscular, dores nas costas, etc. Mas e daí? Comecei a corrida contra o tempo e posso me tornar mais interessante por isso. Já dizia Honoré de Balzac: "Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido." 

Aos 20 me diziam que quando tivesse 30 eu não ouviria mais rock, que rock é uma onda passageira, que eu teria aos 30, vontade de ter filhos, não usaria mais roupas infantis e obscuras e, que eu seria ótima bióloga. Pois hoje tenho 30 e o que mudou foram os presságios alheios. Pode ser que algo se concretize, nunca se sabe, mas que seja aos 40. Nunca tive pressa, agora então... ZzZzZz.

O que sempre foi presságio e cada vez se torna mais evidente, é como algumas pessoas me definem (não sei se pejorativamente) ser “do contra”. Ser do contra é oposto dos personagens “Maria vai com as outras”, “em cima do muro” e “sem sal”, do tipo que é eliminado rapidamente de Reality shows. Oposto dos sem opiniões, mornos e normóticos. Então, aos 30, aprendi que, ser do contra em dias atuais, é um baita elogio, quase um Nobel. Me relaciono melhor com pessoas semelhantes, admiro nos outros o que tenho em mim: opinião própria! 
Do que vale as frases prontas, o compartilhamento de textos que não são seus, a identificação completa e fazer de outras palavras, as suas?
Entendo que todos devem ser respeitados em sua esfera comunicativa, ou na sua falta de comunicação e é por esse motivo que me relaciono sem questionar, é como dizem: cada um no seu quadrado. E entendo também que meu “quadrado” é mais suscetível a criticas, construtivas e depreciativas. Estou mais exposta, sem medo, dando a cara à tapa, e isso pode incomodar. 
Realmente deve ser difícil compreender alguém que não mantém opinião padronizada. 
Hoje aos 30 anos quero continuar a ser o que sempre fui, fazendo quem gosta de mim, gostar ainda mais. Sem carência, sem querer agradar por interesse, sem ambição, sem muitas coisas.
Sei quem sou, me orgulho disso, e há quem goste!
E assim, lá se vão 29 anos de muitas decisões, marras, pirralices e amor!

Adorei a comemoração de véspera junto com amigos, muitos amigos. Namorado como DJ e baterista, meus xodós das bandas e toda alegria que envolveu a noite. No dia, só a família, que é grande, mas coube todos em casa.
Sou grata a tudo e todos que fizeram/fazem parte desse mundo Binha.
Let’s go!






quinta-feira, 16 de abril de 2015

Meritocracia?$



Eu não sou contra que competência e experiências individuais sejam parâmetros de avaliação, mas utilizar a meritrocacia como justificativa soberana de como se chegar ao topo, sim, sou contra. Não há como ignorar que partimos de pontos diferentes, uns mais à frente (muito mais à frente) que outros. O acesso às oportunidades é desigual. Por exemplo: enquanto eu dependia de trabalhar para bancar minha faculdade, prejudicando meu tempo de estudo e sono, via algumas pessoas aguardando o término do seu curso financiado por terceiros, com tempo livre, para depois ingressar no emprego. Nas férias eu, no máximo ia até Angra dos Reis visitar a minha tia, enquanto meus amigos faziam intercâmbio. Até aí, ok, cada um vai até onde pode ir, mas nunca queiram comparar os suores.

O pobre vence, tem que vencer, porém, sua linha de largada encontra-se mais distante da linha de chegada. Será sempre uma vitória mais suada. Piora ainda mais se esse pobre for negro, gay, mulher, deficiente ou/e transsexual. Não curto vitimizar, parece chute em cachorro morto, mas vejo a necessidade de lembrar aos de "vida fácil" que eles não são melhores que ninguém só porque possuem diploma, cargo ou dinheiro. Assistimos em nosso cotidiano discriminação por negros, sotaques,  gênero, opção sexual, religião, nível socioeconômico entre outros e, esses preconceitos persistirão enquanto pessoas soberbas existirem.

O sistema de cotas exige que, antes da igualdade, tenha-se justiça. Um sistema que compensa a falha de desigualdade educacional e de oportunidade. É claro que, o ideal seria melhorar a educação pública e ampliar o acesso acadêmico privado, mas como sabemos que a solução não é tão fácil assim e que depende muito mais da mudança mental da sociedade, eis que o sistema de cotas veio para maquiar a desigualdade educacional no país.
Em São Paulo foi lançado o programa transcidadania, fruto do projeto articulado por secretarias e o prefeito Fernando Haddad (PT), que deixou muita "gente" com ódio, gente que tem uma vida sem os obstáculos dos preconceitos, os mesmos que querem dividir por rótulos o convívio social. Esse é mais um exemplo de que é preciso repensar sobre o porquê das cotas.

O Brasil é terra onde o europeu teve a “audácia” de se misturar aos nativos e escravos criando, assim, o povo Brasileiro. Somos misturas do fino com o simples, tornando todos iguais, ainda que a minoria não queira.


domingo, 5 de abril de 2015

Intangível


Somos feitos de fé, ela nos motiva, nos surpreende e a resgatamos em momentos de desespero.
Cultivar boas intenções e esperança, independe de dogmas, regras e demagogia. 

A desordem espiritual desestrutura a fé, fazendo um indivíduo se apegar na crença que lhe convém no momento. Temos realmente que crer em algo, em si mesmo, na natureza, milagres, no que for, é saudável, o problema é quando se toma pra si a razão, superioridade e hipocrisia. 

Toda religião é tabu, são indiscutíveis pois implicam razão e soberania ilusória. É subordinação e por isso incita guerras e individualidades. A fé caminha independente, interiormente em paz, transcendendo orientações especuladas.

Não quero, todavia,  GENERALIZAR e,  sim,  salientar analogicamente  religião e fé, até porque, ao meu ver, são caminhos paralelos, não iguais. O que não impede de uma religião, apesar de imperfeita, nos fazer refletir socialmente e nos dar liberdade de discernimento. Eu fico somente com a fé. 

Mais vale sua intenção, compaixão e atitudes do que uma disciplina egocêntrica, onde impera os próprios interesses (políticos, financeiros ou de conduta). Por vezes, pessoas se autodefinem como bondosas com a justificativa de nunca ter feito ou desejado mal a alguém. Não fazer o mal é respeito, temor, limite, obrigação, exceto bondade. Bondade é ato. 
Que tenhamos mais atos, deixando de lado preconceitos, as opiniões obsoletas e o "o que vão pensar de mim?".

domingo, 8 de março de 2015

Mulher, sim. Objeto, nunca!


Muitas mulheres trocariam os parabéns, pelo respeito. É como se recebemos parabéns por não termos liberdade de usar as roupas que suportem 40◦, por não termos autonomia sobre o próprio corpo, por sermos taxadas de puta quando queremos sexo casual, por sofrermos estupros, por termos que nos encolher no banco de ônibus enquanto o “macho” senta ao lado com as pernas bem abertas, por sermos vítimas de mutilações genital, por sermos vendidas ou trocadas e todo o histórico de covardia e submissão que nos envolve até hoje.
Chega de fundamentalismo, conservadorismo e preconceitos. Ah, por falar nisso, quero deixar um salve às mulheres transexuais. Essas pagam o preço do defeito vindo desde a maternidade, cobrado por quem não tem nada a ver com vida delas.
Não quero desta forma vitimizar as mulheres, generalizar, tão pouco parecer feminista no significado pejorativo da palavra. Se quer me rotular, pois que seja de feminista ao meu ponto de vista. Não sou anti-homens (tenho praticamente apenas amigos do sexo masculino), não sou “sapatão” (e daí se fosse?!), uso maquiagem porque gosto, sou imperfeita e mulher. É meu dever, como tal, lembrar que esse não é um dia de muitas comemorações. Devo além de tudo enfatizar que, meu recado não é destinado apenas aos homens, mas também às mulheres que aceitam a condição de opressão depositada em nossas costas e as que concordam com os paradigmas arcaicos.
Por outro lado, devo dizer aos machistas: é graças a sua boçalidade que cada vez mais nos tornamos melhores para nós mesmas. Obrigada!