sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Tempo bom


Quando pensas em tempo bom, aposto que lhe vem à cabeça um dia ensolarado. Tempo bom é aquele que te dá vida. Se penso em um, lembro-me depressa de um dia nublado e chuvoso, sem dúvida.

Que deslumbrante é ver enquadrado pelos vidros embaçados as pessoas vestidas de chuvas, coloridas e charmosas, sentir o perfume que acabara de colocar pós banho, lembrar que cinza também é cor do céu, observar a dança dos coloridos guarda-chuvas, brincar com o vapor no vidro, notar as vibrantes cores das luzes refletidas em gotas, sentir a brisa gelada e úmida que causa arrepio e encolhimento, como se o vento te obrigasse a amar-te enquanto te proteges dele. Puro romance! São sensações pouco apreciadas. Uns sentem a chuva, outros apenas se molham. Uns veem gramas molhadas, outros, orvalhos descansando na natureza. Não há dia mais nostálgico e reflexivo. Ver o céu chorar mesmo com toda sua grandeza, consola até os mais durões.

Permitir-se aos bocejos da preguiça que a temperatura causa, é muito compreensível, quem não gostaria de estar na cama? Mas há quem goste de sair do conforto de casa só para experimentar a sensação glamourosa europeia de se caminhar como se aquele dia fosse um dia comum.

Ah! Um bom livro agora com chocolate quente, um filme com os amigos ou um vinho e um par. Antes da minha escolha, estou aqui a escrever, também é uma boa escolha para o início de um belo dia nublado.

E quem diz “tempo fechado”, “tempo feio” e “tempo ruim”, não sabe extrair da aparência a essência da beleza.



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Poesia imóvel


Qual foi o melhor momento da sua vida? Muitos? Consegue lembrá-los? 

Nossas lembranças desvanecem-se em complô com o tempo. Remanescem os fragmentos aleatórios de lembranças das quais jamais deveríamos olvidar.
Ainda não podemos perpetuar histórias, mas chegamos perto ao materializá-las, documentando momentos importantes. Cada registro compacta um grande acontecimento do qual ao lembrarmos trazemos toda a emoção vivida. A fotografia é um dos recursos, está para mim como minha segunda linguagem.
Fotografar é eternizar a perspectiva sob a imagem da qual pelo olhar se projetou, seja ela emocionante ou representativa.
Se dar conta de que a arte está presente em tudo, completamente tudo no que podemos ver, e saber que, podemos extrair a beleza de momentos simples do cotidiano, é estar preparado para testemunhar os milagres da vida, é perceber o que de fato podemos contemplar. O que se passa despercebido por um olho comum, é por algumas vezes uma grande arte para uma objetiva.
Fotografias são os instantes deixando-se ver tal como são, permitindo seu espaço físico inserido na subjetividade de um realismo provocativo.
Fotografar é uma forma de expressão na qual se dispensa tradução autoral, ela é interpretada no seu visual e permite mais de uma percepção. É então a tradução social.
Não há atalhos ou obstáculos na fotografia, mas é preciso saber compor o olhar. Todos podem fotografar, mas a percepção é para poucos e o reconhecimento também.

 "Uma fotografia é um segredo sobre um segredo, quanto mais te diz, menos sabe." - Diane Arbus

“O escritor e o fotógrafo utilizam as mesmas ferramentas, mas enquanto um descreve uma imagem com mil palavras o outro descreve mil palavras com uma imagem." Jefferson Luiz Maleski


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Apagando a vela!


Esse é o mês de aniversário do Blogger. 1 ano, gente! Meu filho já anda, que depressa! Há 1 ano compartilho aqui neste Blogger minhas humildes e principiantes crônicas. 
Sou boa de gargalhar, de comer e observar, adoro falar, mas não sei me expressar como eu gostaria, então escrever se tornou meu refúgio experimental. Escrever torna as ideias existenciais e eterniza, ao contrário do ardor momentâneo de se falar. 
Gostaria de agradecer a cada elogio, a cada revisador (há um rodízio... hahahahaha), a cada compartilhamento e cada identificação. Vocês me mantêm (não como uma Deusa), mesmo quem não comenta, curte ou compartilha, mas vejo que você participou lendo, isso é  tudo. Espero continuar no pique, que embora tenha diminuído por causa da falta de tempo, mas está a vapor.
Sintam-se saboreando um belíssimo bolo agora. Beijinhos!

domingo, 26 de outubro de 2014

Sufrágio universal


Nunca fui tão ligada à política, pois o que chamam de democracia, chamo de obrigação, e nem tudo o que é obrigação te satisfaz, mas a praticamos desde criança quando elegemos o líder da brincadeira na rua e o representante da turma na escola. Sempre mantive discernimento para saber qual escolha seria menos pior e no que ela poderia melhorar, acredito que seja assim com todos. Claro que existe quem queira cuidar dos próprios interesses e não do coletivo, são minorias. 
Numa discussão sadia uma pessoa me perguntou: "Você sabe que o mundo evolui, independente do que ocorra no Brasil. Sendo assim, conseguiria separar o que evolui por ação do governo e o que avança, mesmo se o governo não quiser? O país evolui, mas a que preço? Poderia estar mais lá na frente, avançando mais rápido?". Foi até então a pergunta mais esclarecedora das que já vi. E chegamos à conclusão de que, qualquer evolução depende muito mais do povo, se não fizerem por nós, façamos nós  mesmos, e bem feito. Se acreditamos nas propostas do (a) eleito (a) , somos nós, os que elegemos, é que temos que cobrar, como aconteceu com o 'gigante'. Mas além da conversa em torno das perguntas, questionei a mentalidade das pessoas, o quanto estão acostumadas a esperar pelo governo e quanto o culpa por absolutamente tudo. E outra, quanto tempo levaria para uma considerável mudança, a mudança que almejamos? 
Para o país dar o salto de qualidade que a gente quer depende muito mais de nós, da iniciativa privada, do que do Governo. O Governo é instrumento de elevação da qualidade da nossa educação, mas se ele falha, temos que dar nosso jeito. Se não acreditarmos que existe no mundo e aqui dentro um grande complô para impedir a nossa felicidade, já teremos caminhado bem. 
Nessas eleições, vi gente chamado o outro de burro, povinho, maldosos, sem noção, terroristas, entre outras palavras ofensivas, algumas dessas pessoas que ofendiam, são até mesmo religiosas. Dessa forma o Brasil caminhará para o lado errado, alimentando preconceitos. Foi triste, mas revelava quem venceria. Sejamos Unidos, nossa luta não deve ser entre nós. Agora é arregaçar as mangas e começar as cobranças e as mudanças da mentalidade do nosso País, Pátria amada, Brasil!


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Efêmera vida

Foto: Déborah Rodrigues

Curta, dura, enigmática, surpreendente e ruim... Assim é a vida. Já começa com a certeza que haverá fim. Então porque ela se inicia? Seria a vida um castigo dos Deuses aos Seres Humanos? Ela é o inferno no qual lutamos diariamente para amenizar sofrimentos, e conseguimos. É uma linha do tempo podre onde interferimos com pontos de felicidades, assim como fazer um casaco de lã. É procurar insistentemente razões para viver. É brincar com o lúdico.
Saber que na linha do tempo passarão vidas, tristezas, felicidades e a certeza da saudade, torna previsível o dia a dia, até que o imprevisto acontece, haverá sempre algo inesperado para acontecer que mudará o percurso.

Somos fantoches em um teatro improvisado, tem que se virar, atuar e jogar.

Acredito que, mesmo dizendo-se felizes, as pessoas mentem. Ser feliz é um sentimento egoísta com quem não teve a mesma sorte. É como ter cama pra dormir, se sentir feliz por isso e ignorar o outro que não tem onde deitar-se. 
Na distração podemos ser felizes, em alguns momentos esquecemos a infelicidade do outro. Sendo assim, não somos felizes, estamos felizes. Sorte dos egoístas de poderem enganar a vida, de por vendas em si e nos outros.

Não sendo 100% feliz, a vida não se torna 100% perpétua. Está justo.

Este texto será assim, tão breve quanto a acepção temática.

"A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal."
- Machado de Assis in: "Iaiá Garcia", capítulo III


domingo, 28 de setembro de 2014

Compreendendo a enfermidade contemporânea


Não se pode entender o que não se conhece. Não se discute o que não se viveu. Temos apenas uma ideia do que seja, às vezes uma ideia bem próxima, mas ainda assim, não o suficiente. Neste momento, estou assimilando o que me era incompreensível antes. 

Venho como caloura caindo de paraquedas no mistério das doenças psicológicas, digo, estou doente, levemente doente. Uma espécie de paranóia vinda de traumas vividos recentemente e de violências vistas por algumas vezes de frente. Por conta disso, adquiri uma taquicardia, um descontrole da respiração e nervosismo pós-sintomas. Clinicamente, não tenho nada além de 'simples' taquicardia, ansiedade e estresse e cada vez que ouço isso, (pelo menos 10 vezes nos últimos meses pelos médicos) fico mais encucada. Quantos mistérios terei que desmistificar da mente?

Enquanto duramente saudável, eu mantinha uma teoria pessoal de que as doenças psicológicas, paranóias e medos quando não se adquiria geneticamente, era pelo ambiente, e a teoria hoje se confirma pelo menos no meu caso. Explico: Se você convive com pessoas que falam sobre o assunto, presencia tais loucuras, convive com a pressão profissional, a pressão que exercemos sobre nós mesmos, assiste impotente as corrupções (que vai desde os ‘fura filas’ até o governo) e cobranças naturais do tempo, fazem com que as chances da sua mente contrair e aceitar determinados 'descontroles' se elevem. É claro que alguns seres têm a proeza de postergar ou até mesmo ignorar definitivamente tais doenças, mas me limito a entender tal fenômeno, apenas admiro e almejo.


É uma batalha particular, onde os dois lados da moeda se confrontam no campo chamado "eu". Uma angústia toma conta do peito e a partir daí tenho que lutar contra esse sentimento, enquanto o meu físico mantenho sem esboçar qualquer esforço. Sinto-me mascarada.

Ainda trabalho, escrevo, saio, vivo como antes, sem compartilhar com ninguém a hora do meu desespero, não tenho nada demais, só uma bobagem momentânea. De boa. Conheço os loucos e estou longe dessa insanidade mental genial.


domingo, 6 de julho de 2014

O surto pela escrita


Após tempos escrevendo aleatoriamente, pensando e repensando em por impresso tudo o que me vinha à cabeça, fiz um caderno com meus textos (que sumiu, durante arrumações pós obras em casa), ato que tornou o meu cotidiano mais aceitável, mais concreto e mais comum, como o efeito que um desabafo nos causa. Vira uma espécie de terapia infalível. Embora antes as escritas ficassem em gavetas, de certa forma havia um alívio em concretizar aquelas opiniões. Mas a necessidade de compartilhar minha visão sobre as coisas começou a me apetecer. Faltava algo, talvez coragem de me expor e de ser criticada, ou até mesmo do retorno negativo e ofensivo que poderia acabar com minha vontade. Percebi então que, a maior crítica vinha de dentro: autocrítica! 
Por escrever crônicas, gênero pelo qual me identifico, posso estar me precipitando, a partir do momento em que sei ser apenas uma afinidade pelo gênero, e não uma formação acadêmica, além disso, transmitir a minha visão de mundo não é coisa para a minha idade, dizem. Daí me surgiu a insegurança, mas a determinação típica da minha personalidade e a vontade de encarar desafios venceram. Então, expor minha escrita tornou-se algo prazeroso. Ao misturar cotidiano, humor e críticas em meus textos, percebo imediatamente a identificação de quem os leem, que, embora sejam poucos, me alimentam cada dia mais. Escrever crônica é sentir-se poeta dos acontecimentos do dia-a-dia, é dialogar com o leitor, e aqui entre nós, prosear é o que mais gosto de fazer.
Crônicas dificilmente são aceitas quando os leitores não as veem como tal: opinião egocêntrica do autor. Algumas vezes as opiniões são compartilhadas por alguns, acrescentadas a outros ou ignorada por poucos, não importa, penso que, duas causas importam mais para alguém que escreve algo: atingir ao menos um olhar, se não, de nada adianta se abrir, e aprender com cada experiência da escrita sempre lembrando que se fosse reescrevê-la, ela seria melhor, mas que aquele momento foi o melhor dado ao texto.
Escrevo por teimosia, de nada sei, mas gosto de fazer o que me faz bem.